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Psicodrama no Foro, e depois...?


A unidade é a diversidade”  esta é a característica particular do Foro Social Mundial que se realizou em Buenos Aires, de 22 a 25 de agosto. “Outro mundo é possível” este é o grito de resistência do movimento anti-globalização desde que fez sua erupção publica na cidade de Seattle em 1999.  O Foro Social Mundial abre uma alternativa: Gente diferente, que pensa diferente e faz coisas diferentes intentam se unir para criar uma opção melhor. (Escrevo isto e começo a escutar o latido de tantas caçarolas...)

Atilio Borón,  de Clacso sinalou que não era casual a eleição de Buenos Aires como cenário deste Foro Mundial. “Argentina expressa hoje as conseqüências da aplicação do modelo neoliberal mais fanático. Se converteu em um laboratório perverso que tem provocado um verdadeiro holocausto”.

 

Muitas opiniões, muito entusiasmo, muito desconcerto, muitos encontros e desencontros, muitas atividades descentralizadas apontando a abrir mais perguntas que respostas. Não é a minha intenção fazer uma síntese do que foi este Foro, mas sim gostaria de dividir com vocês a alegria de haver encontrado ali múltiplas propostas psicodramaticas para abordar alguns dos interrogantes questionados. Foram tantas que me ocorreu a idéia de fazer um “Rally psicodramatico”, isto significou tentar participar no mesmo dia em varias destas propostas. Assim fizemos e assim o descrevia Graciela De Luca:

 

“Ontem comparti experiências em vários grupos, com diferentes endereços psicodramaticos e espaciais, pois o rally se impôs desde a necessidade de deslocar-se de um lugar para outro.

Assim foram ESCUELA DE PSICODRAMA DE SAN MIGUEL em LOMAS e em LA CASONA DE HUMAHUACA,  EL CENTRO ZERKA MORENO, EL PASAJE ( Grupo de Teatro Espontâneo).

 

Flashes do Rally:

Com  Adriana Piterbarg e sua equipe se tentou PARAR O MUNDO... para baixar-se ¡no! Todos quiseram ficar e FAZER ALGO por ele... por nos.

O mundo corporizado nos foi mostrando os diferentes estados em que se encontrava, nos vimos em luta, triste, indiferente, com medo, comprometido, com fome, .....

Países corporizados que se foram localizando neste mundo e desde ali, em solilóquio, diziam como estavam, que queriam, que necessitam.  Países que falavam entre si, que lutavam por um espaço.

Um auditório ativo, dialogando com as cenas, modificava posturas e significados. Argentina, localizada no “Cu” do mundo pedia esmola. Na cena final: Argentina, de pé, ombro a ombro com Brasil, -  Como estas Argentina? - se voltou a perguntar. Respondeu: “TRABALHANDO”.

 

Com  Mónica Zuretti e sua equipe participei da proposta de imaginar um MUNDO MELHOR e POSSÍVEL.  Ali se fizeram cenas com propostas que serviram para melhorar, melhorarmos. Que necessitaríamos? Energia, reciclado de recursos, uma “locomotora intergaláctica” que representava o recurso próprio, de dentro de nos, cooperação e uma melhor qualidade de vida.

 

 

O MUNDO AO REVERSO com  María Elena Garavelli e seu grupo me permitiu “passear” por diferentes cenários guiados pelas narrações do publico e mostrados com toda a plasticidade dos atores espontâneos.

A recreação de cenas a partir do relato, efeitos musicais e luminosos em um clima de quase cerimonia nos transportou a este espaço intimo do conotativo.

 

O Foro teve seu centro na cidade de Buenos Aires mas o interior do pais também esteve presente:

 

Desde Tucumán – conta Fanny Villamayornossa experiência na faculdade de psicologia, em adesão ao Foro foi grandiosa... a produção grupal, e o ingrediente especial que outorga o teatro da multiplicação lhe deu seu toque mágico...

 

Creio que os psicodramatistas argentinos participamos de múltiplas maneiras neste Foro, por exemplo Fabio Lacolla, quem esta semeando psicodrama na Patagônia Argentina, esteve presente com a seu grupo  Mondo Hongo, e comentava que:

 

“Ter participado com Mondo Hongo neste  Foro foi para mi algo muito importante pois

poucas vezes se reúnem em um mesmo ato meu rol profissional, artístico e cidadão.”

 

Cecilia Torres, do Instituto de la Máscara, também dividiu sua experiência: “...a diversidade de origens, discursos, tonalidades, expressões, cores e musicas que experimentamos durante o Foro, nos corredores da faculdade, na praça, nos produziu uma sensação de plenitude muito particular. Tivemos o prazer de coordenar o workshop psicodramatico com mascaras que se ofereceu no Foro.  A maior parte das pessoas que participaram foram profissionais da área da saúde e estudantes.  Nos surpreendeu que a abertura aos sentidos e ao jogo corporal brotaram muito rapidamente. Diante da discussão de temas macros, como o ALCA, a divida externa, a militarização da América Latina ( que por sorte se debatia) havia como uma intensa necessidade de expressar-se desde a singularidade, desde a própria historia. Foi como abrir, um pouco, uma torneira e que um gotejar de emoções nos inundara a todos, A TODOS, coordenadoras incluídas...

 

No decorrer do workshop, surgiu um pranto incontido, a impotência, o cansaço, a bronca e a tristeza pelo perdido. A aparente contradição entre alegria e tristeza. E um desejo forte  de encontro entre os corpos.

As mascaras construídas que mais me ressonaram: uma com um signo “$” na testa, outra feita exclusivamente com títulos de jornais, outra complemente cega e muda, outra “simples, como um menina que elabora sua dor cotidiana “... Todavia estamos aí, com elas, no Foro, atravessadas pelas intensidades que apenas conseguimos aspirar e compreender...”


 Aida   Loya escreveu: “Coordenei o Workshop “Buenos Aires Terremoteada” e tivemos o

prazer de sair para a rua e voltar com toda a classe de afetos a flor da pele, de modo que o trabalho de cenas e a multiplicação dramática tiveram força, calidez, tristeza e alegria de estar junt@s e resistir.”

 

Um resistir que se converteu em  construir um mundo onde caibam todos os mundos”

O novo mundo é um trabalho de elaboração, mas: É através dos partidos políticos ou através dos movimentos sociais que se deve levar a cabo esta transformação?

Moreno já propunha de esta maneira sua idéia de levar adiante uma revolução criadora: "Existe uma maneira, simples e clara, na qual o homem pode lutar, não por meio da destruição nem como parte da maquinaria social, mas como indivíduo e criador, ou como uma associação de criadores (...).

 “Outra América Latina é possível. Outra Argentina também”, asseguraram representantes de umas duzentas organizações na apresentação do Foro Social Mundial. Um  Foro que deixou bem claro que: "o neoliberalismo esta em todas as partes e a resistência também".


E como escreveu Rosana Fernández:
“O Foro, não termina aqui...isto esta recém  começando, aspiremos a ser um coletivo”.

 

Talvez o Foro tenha sido uma espécie de Farol, arrojando um pouco de luz sobre escuros interrogantes. Os psicodramatistas somos pessoas de ação e em isto estamos,  “armandounpsicodrama”, um Sociopsicodrama Simultâneo englobando todo o comprimento e a largura... (da cidade, do país, do cone sul...) seguindo os passos do “megaevento” realizado em São Paulo em março do ano passado. A convocatória é absolutamente ampla e supra institucional para todos aqueles cidadãos psicodramatistas que queriam se somar a esta idéia, o porto cibernético deste projeto armandounpsicodrama@yahoogroups.com.  A data prevista é sábado 12 de outubro na parte da tarde.

Justamente no dia que “festejamos” o descobrimento da América, para tentar descobrir entre todos que uma nova América é possível...