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- Aquecimento: Caminhos para a
dramatizaçao
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- Todo jogo cria um mundo dentro
de outro mundo - um território com suas próprias leis - e poderia
considerar-se que o teatro é o mais estável dos muitos palácios
encantados que a pueril humanidade construiu. A distinção entre a vida
e a arte começa ai.
- A experiência de dirigir Teatro
Espontâneo (TE) com públicos abertos obrigou-me a pensar, desenvolver
e aprofundar esta etapa do procedimento psicodramático. Desde que meu
foco na dramatização tem sido a criação de uma cena, centralizada por
um protagonista e co-criada pelo resto do grupo, foi imperativo
encontrar novas formas de aquecimento que viabilizassem o foco em
questão. Os aquecimentos que já existiam, estavam a serviço de
dramatizações com outros focos,que não a criação e portanto
inadequados para a meu propósito. Pretendo, então, lançar algumas
idéias relativas ao aquecimento decorrentes dessa investigação.
- O público presente ao TE
demandava um preparo que o tornasse apto para uma atividade muito
pouco costumeira que é fazer teatro. Mas não o convencional e sim
teatro de improviso. Ele precisava se transformar num grupo
propriamente dito (diversas pessoas reunidas para um mesmo fim) para
poder criar e co-criar o enredo, interpretar seus personagens, dando
forma e sequência a historia co-produzida pelo grupo, com começo, meio
e fim. Tudo isso num tempo de mais ou menos 1:30hs (tempo médio de uma
peça de teatro convencional).
- Mas antes de entrar
propriamente no tema - aquecimento -gostaria de contar um pouco sobre
a minha trajetória pelo Psicodrama. Algumas passagens conceituais
importantes que ocorreram comigo podem ilustrar (só agora posso ver)
como foi que cheguei a entender e fazer TE como faço hoje.
- Escrevi meu primeiro texto de
Psicodrama, quando estava no segundo ano de formação. Apresentei no
IIICongresso Brasileiro de Psicodrama, realizado em Caiobá - Paraná,
em 1982. Tinha como titulo PSICODIAGNOSTICO PSICODRAMATICO . Minha
inquietação neste tempo era de uma psicóloga (me formei em 1976)
querendo ser psicoterapeuta. Na formação acadêmica que tive me foi
ensinado que havia três momentos na psicoterapia: psicodiagnóstico ou
estudo de caso; entrevista devolutiva e a psicoterapia. O primeiro
passo,então, seria saber fazer um bom psicodiagnóstico -psicodramático,
é claro. Mas os conceitos relacionais e socionômicos trazidos por
Moreno, inviabilizavam a possibilidade de se fazer psicodiagnósticos
individuais, intrapsíquicos . Esse foi meu primeiro conflito teórico:
utilizar-se do Psicodrama, uma teoria que se dedica ao estudo e
terapêutica dos grupos para se psicodiagnosticar o indivíduo: Não
percebia o conflito, ou melhor a contradição em que estava envolvida
(e tantos outros psicodramatistas também!)..Mas para continuar a fazer
valer o que tinha aprendido na faculdade, até porque era então
confirmado por meus colegas psicodramatistas, clamava ao final do
trabalho que se publicasse mais sobre o tema psicodiagnóstico.
- Em 1986, apresento o trabalho,
UM DRAMA COLETIVO - HOMOSSEXUALIDADE , apresentado no V Congresso
Brasileiro de Psicodrama, realizado em Salvador- Bahia em 1986, - Nele
faço um levantamento sobre a mudança de comportamento ocorrida durante
a revolução sexual dos anos 60. Minha investigação é como um papel
social (no caso o papel de homossexual) pode ser transformado em
decorrência de um movimento/revolução social/sexual.
- Identifico nesse trabalho
influência, ou melhor, a responsabilidade que um grupo (seja ele toda
uma sociedade,ou seja ele um pequeno grupo), pode ter na transformação,
na descristalização , na criação ou na perpetuação de papeis sociais.
Começo a perceber que é no grupo, e não nos indivíduos isolados que a
espontaneidade/criatividade aparece, renasce ou ressurge..
- Na época em que escrevi este
trabalho não me dava conta que estava me afastando aos poucos da idéia
consagrada , de que é no indivíduo que encontramos o locus da doença.
Começava a vislumbrar o grupo, juntamente com o indivíduo, criando
tanto a possibilidade como a impossibilidade da doença/saúde.
- Posteriormente, escrevo um novo
texto - PSICODRAMA e SOCIODRAMA - UMA CARACTERIZAÇÃO - e afirmo que
metodologicamente o dispositivo para o trabalho grupal é o mesmo (ainda
não uso o termo TE) tanto no Sociodrama como no Psicodrama.
- Já estou convencida, neste
momento, que a relação indivíduo/grupo é uma unidade, impossível de
ser estudada ou trabalhada isoladamente, fundamentada pelo conceito de
átomo social, papel, espontaneidade e tele. Portanto o que faz a
diferença entre Sociodrama e Psicodrama é o interesse e/ou necessidade
que tem o grupo que participa. Para qualquer um deles, é sempre o
mesmo procedimento socio-psicoterapêutico.
- Recentemente escrevi um novo
artigo - TEATRO ESPONTÂNEO E SUAS TERMINOLOGIAS . Faço uma tentativa
de classificar os grupos que são trabalhados.nas diferentes
terminologias dadas ao Teatro Espontâneo.(Sociodrama, Psicodrama,
Psicodrama Publico, Axiodrama,etc). O nome Teatro Espontâneo se refere
ao procedimento básico psicodramático, ou para sermos fieis à Moreno,
ao procedimento sociátrico. Teatro Espontâneo é o teatro onde o enredo
é improvisado e criado pelos atores, platéia e diretor presentes. Ou
falando numa linguagem menos teatral,Teatro Espontâneo é a
dramatização que se realiza no palco psicodramático, a partir de uma
história protagônica, encenada pelo protagonista e egos auxiliares (profissionais
ou não) assistida com eventuais participações por uma platéia,
coordenada por um diretor. Tenho porém preferido usar a linguagem
teatral para me referir ao procedimento sociátrico básico. Por um lado
pelas origens históricas do teatro; por outro por ter me inspirado nas
artes cênicas para desenvolver uma estética deste trabalho de direção
grupal.
- Depois de toda essa
trajetoria,tenho mais definido o lugar da doença/saúde, a influencia
do grupo no indivíduo e vice-versa e o TE como dispositivo para o
trabalho grupal.
- Tenho me perguntado porque os
psicodramatistas cada vez menos atendem grupos em seus consultórios?
Se o locus da saúde/doença se dá nos grupos, por que temos deixado de
atender grupos? Se a Espontaneidade se dá nas relações, o temos feito
com esses conceitos nos atendimentos individuais?
- E, em época de globalização,
Mercosul, queda de fronteiras, não é esse o momento ideal para
aprendermos a estar em grupos. À pergunta de Moreno feita em 1932, WHO
SHALL SURVIVE? eu lhe respondo: Sobreviverá quem souber conviver em
grupos de maneira espontânea e criativa.
- E é (só!!) isto que espero
quando proponho um TE, seja no consultório, no teatro aberto ao
público em geral, numa escola ou num congresso. Que possamos aprender
a sobreviver, ou melhor, a conviver em grupos.
- Se meu objetivo é que os
integrantes de um grupo possam dramatizar uma cena de maneira criativa,
espontânea e coletiva, isto é, com a contribuição de todos, o
aquecimento deve instrumentá-lo (o grupo) para isso. Diferentemente da
tradição psicodramática, que considera(va) o aquecimento como o primo
pobre em relação à dramatização ou mesmo em relação ao
compartilhamento, passei a considerá-lo, como o primo rico, ou melhor,
a matriz de criação. Como uma terra que se prepara para semear, onde o
tipo de planta que nascerá apresentará reflexos desta preparação.
Nesta etapa , o diretor deve ter grande cuidado e atenção, É desta
terra bem preparada que depende em grande parte toda a riqueza e a
beleza da dramatização - sua criatividade/espontaneidade É ai que
começa a desenhar o sociograma deste grupo, com suas escolhas e
rejeições; a maneira como se relacionarão entre eles e com o diretor,
e a forma como se dará o trabalho de co-criação.É no aquecimento,
através dos exercícios próprios, que se começa a configurar a estética
do projeto dramático. Esta etapa deve contemplar e engendrar todos
estes aspectos .
- Tenho considerado cinco sub
etapas de aquecimento, que se interpenetram. Para efeitos didáticos,
elas se encontram aqui separadas.São elas:
- a. ambientação
- b. grupalização
- c. preparação para o papel de
ator
- d. preparação para o papel de
autor
- e. preparação para ser platéia
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- a. ambientação
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- Nesta sub etapa temos que
convergir as atenções dos participantes para o local onde será feito o
TE. Reconhecer o ambiente onde iremos trabalhar, o espaço físico,
familiarizando os indivíduos às diversas dimensões do lugar, como
volume, altura, distâncias, sons e cheiros. Permitir que as pessoas
descubram as possibilidades físicas que o ambiente propicia. O aspecto
físico pode parecer pouco importante para quem dramatiza com o foco na
interioridade de cada indivíduo; mas para mim, que tenho como alvo a
criação e a co-criação, este aspecto tem muita importância, uma vez
que só podemos criar a partir dos elementos que temos.(nada se cria,
tudo se transforma). E o espaço físico é um destes elementos. Todos os
exercícios de ambientação podem ser feitos tanto de maneira individual
como coletiva(duplas, trios ou mesmo o grupo todo). O que não se pode
perder de vista é que o ambiente deve ser muito bem conhecido e
reconhecido.
- Esta etapa tem também a
intenção de deixar o grupo à vontade no espaço que ele vai trabalhar,
diminuindo a tensão e ansiedade que possam existir. Tudo para
facilitar a criação.
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- b.grupalização
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- Para fazer com que um
agrupamento de pessoas, qualquer que seja sua historia anterior,
torne-se um grupo, é necessário prepará-lo para a grupalização.
Chekhov nos diz: "Somente artistas unidos por verdadeira simpatia num
Conjunto Improvisador podem conhecer a alegria da criação
desinteressada e comum". Para se formar este Conjunto Improvisador que
nos fala este mestre russo do teatro, é importante que os
participantes do TE possam se conhecer. O conhecimento não deve se dar
só nos aspectos concretos vividos no contexto social, como idade,
sexo, de onde viemos, quando nos formamos,etc. Mas a grupalização visa
o reconhecimento do grupo que está inserido num projeto dramático
comum que é de fazer TE. Para isso, as pessoas precisam conhecer
atributos ou características das outras pessoas, vividas no contexto
grupal, e que mais tarde serão vividas no contexto dramático. Suas
expectativas, suas disponibilidades, suas qualidades artísticas, sua
prontidão para o improviso. Enquanto as pessoas vão se conhecendo, vai
se preparando também o grupo. para o trabalho grupal. O grupo precisa
achar caminhos para trabalhar conjuntamente.
- Já com o ambiente e o grupo
reconhecido, ou em processo de reconhecimento, uma vez que este
conhecimento não se esgota, é importante que o grupo possa fazer
exercícios em grupo no espaço físico. É nesta etapa do aquecimento que
podemos criar, ensinar ou facilitar uma das principais metas do TE -
trabalhar os grupos em grupo.
- Fazer exercícios em grupo no
espaço físico, reconhecendo o tamanho do grupo, o volume que ele ocupa
no espaço,etc são procedimentos sugeridos nesta etapa. Estabelecer um
ritmo grupal,é fundamental para a criação coletiva. O grupo todo deve
poder perceber e identificar este ritmo. É mais um elemento que se
conta para a criação
- Outro aspecto importante nesta
sub etapa é o que se poderia chamar de "enquanto cozinho o peixe ,
olho o gato". Isto é, ensinar, treinar, ou desenvolver nos grupos a
interdependência e complementaridade dos indivíduos e de suas ações.
As pessoas são solicitadas a fazerem exercícios que tenham que prestar
atenção em si, ao mesmo tempo que prestam atenção em seus colegas de
trabalho. Num mundo tão narcisista e individualista como vivemos, o
aquecimento para ouvir, responder, complementar a ação de outra pessoa,
é muito necessário. Preparados para a complementação, abrimos mais um
caminho para a Espontaneidade ter lugar no grupo e principalmente na
dramatização.
- Estes exercícios de aquecimento,
além de capacitar os indivíduos para uma criação coletiva, vai criando
no grupo redes sociométricas, que vão se transformando na medida que
novas tarefas se coloquem. Essa plasticidade sociométrica, é e será
fundamental para que exista Espontaneidade na dramatização.
- Considerando que neste momento
já possa existir um grupo, começamos então uma próxima tarefa que é de
aquecer os indivíduos para atores e para autores.
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- c. preparação para o papel de
ator
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- Tudo que se passa no palco é
metáfora. E tem a intenção de revelar algo da realidade.
- Esta é uma das grandes
dificuldades que temos no nosso trabalho. Preparar uma pessoa para ser
um ator espontâneo. É preciso que ela empreste suas emoções, seus
desejos pessoais aos personagens criados por ela ou por um companheiro
de grupo, para poder dar veracidade ao enredo dramatizado no palco
psicodramático.
- É o momento em que estes
personagens saem para a cena e fazem demonstração de sua existência; é
o momento em que os personagens põem em evidência que são papeis.
- Perigoso ou não, é ai, nas
profundezas da Pessoa que o Ator deve buscar seus personagens. Do
contrário, será apenas um prestidigitador, um jongleur que fará
malabarismos com seus personagens, sem com eles se confundir; um
marionetista, que manipulará suas marionetes, porem à distância ou, no
máximo, um manipulado de fantoches que permite o contato, porem apenas
epidérmico, com seus personagens. Não, o Ator não trabalha com
fantoches, marionetes ou bolas e bastões: trabalha com seres humanos,
trabalha consigo mesmo, na descoberta infinita daquilo que é humano.
- Para conseguir isso nesta fase
do aquecimento, procuro criar diferentes situações, sejam emocionais,
fisicas,corporais para serem vividas por todos os participantes do
grupo, a partir de diferentes personagens. Pretendo com isto facilitar
ou criar acessos entre ator e personagens.
- O ator de espontaneidade é
centrífugo. O espirito do papel não está num livro, como acontece com
o ator tradicional. Não está fora de si, no espaço, como se dá com o
pintor ou escultor, mas é uma parte de si próprio.
- Quando se consegue essa
comunicação entre ator e personagem, o que podemos ver no palco,
embora uma metáfora, é de extrema veracidade. Emociona!
- Essa comunicação se alcança
através da preparação física do ator. O seu corpo precisa estar
disponível para poder viver diferentes personagens Todos os exercícios
descritos até agora demandam o uso do corpo. Ele então também vai se
preparando para a dramatização. Mas é sempre um corpo que deve ser
preparado visando a ação, a interação, buscando a intenção da ação. É
um corpo para fazer teatro. É um corpo pronto para a ação dramática ,
para a relação entre duas ou mais pessoas.
- Sua voz também deve ser
preparada, descoberta, explorada.
- Ele deve aprender, reconhecer e
identificar também as inúmeras posições que o palco pode oferecer para
a representação cênica. Qualquer que seja a posição escolhida pelos
atores/ autores, a visibilidade da platéia deve ser sempre, motivo de
preocupação.(Teatro é lugar de onde se vê). Moreno chegava a fazer um
diagrama de posições no palco. Geralmente esta preparação é feita no
decorrer da própria dramatização.
- Por ser um TE, onde autor e
ator são a mesma pessoa, essa etapa do aquecimento prepara muitas
vezes para ambos os papéis, embora o papel propriamente de autor tenha
outras peculiaridades que veremos a seguir.
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- d. preparação para o papel de
autor
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- Este é o momento onde
construiremos a dramaturgia desse grupo. Dois aspectos me parecem
importantes nesta etapa.
- O primeiro deles é ajudar a
preparar os autores a criarem uma linguagem cênica e não uma linguagem
literária. Muitas dramatizações se perdem ou se esvaziam por se
basearem numa historia literária, abstrata. Nos psicodramas clássicos,
principalmente os clínicos, pode-se ver esse esmorecimento dramático.
As historias baseadas em conteúdos pessoais, quando não passam por um
tratamento dramatúrgico, inviabilizam sua interpretação e encenação.
Com tratamento dramatúrgico quero dizer criar personagens em ação, que
se localizam em algum lugar e em algum tempo. Muitas vezes o que se
chama de personagem, são na verdade atributos de personagem. Por
exemplo: a RAIVA. Raiva não é um personagem. O autor deve poder criar
um personagem que sinta raiva numa determinada relação com alguém,num
determinado contexto, numa cena. É isso que denomino linguagem cênica.
- São nestes momentos que o
aquecimento de ator pode colaborar no papel de autor. A pessoa pode
colocar em palavras o que já havia experimentado corporalmente. As
vezes o caminho pode ser inverso, ou seja, cria-se primeiro um
personagem, com algum script, e depois o ator passa a criar gestos,
formas de andar, etc
- Seja por um ou por outro
caminho, os autores/atores devem estar preparados para dar
continuidade à historia. É o conflito dramático que garantirá essa
continuidade. Este conflito é sustentado pela oposição de desejos,
vividos entre antagonista e protagonista.
- Outro aspecto desta preparação
é que esta criação se dará no TE de forma coletiva. Como escrever uma
historia a tantas mãos? Parece-me ser este um grande aprendizado que
pode e deve acontecer num TE
- A autoria ou melhor a co-autoria
se desenvolve na medida que a dramatização prossegue. Mas a
dramatização prossegue na medida que a co-autoria pode ser sustentada.
.É neste sentido que o aquecimento para ator pode colaborar com o
papel de autor. Colocamos em palavras o que fizemos com ação corporal
anteriormente.
- Todo o aquecimento anterior,
feito com muita disciplina visa preparar o grupo para poder criar e
representar interdependentemente durante toda a dramatização.
especifica. O grupo, os atores e os autores precisam receber uma
preparação, um aquecimento para poderem ser verdadeiramente
espontâneos e criativos.
- O agente, o poeta, o ator, o
musico, o pintor de improviso têm seu ponto de partida não fora de si
mas em seu interior, no "estado de espontaneidade".Isto não é uma
coisa permanente, não é fixa nem rígida como o são as palavras
escritas ou as melodias, mas, sim, fluente, dotadas de uma cadência
ritimica, subindo e descendo, crescendo e desaparecendo como os atos
existências e, não obstante, diferente da vida. Este 'o estado de
produção, princípio essencial de toda experiência criativa. Não é algo
dado como palavras ou cores. Não é consevado, nem sequer registrado. O
artista do improviso deve aquecer-se, deve realizá-lo caminhando morro
acima. Assim que estiver percorrendo o caminho para o estado, este se
desenvolve em toda sua força.
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- e.preparação de platéia
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- Depois da escolha de atores/autores,passamos
à etapa da dramatização. É preciso cuidado com o resto do grupo que se
transforma nesse momento em platéia. Todo o grupo foi aquecido para
serem atores/ autores. Só alguns sobem ao palco. Outros ficam na
platéia. Mas todo este aquecimento não pode, nem deve ser abortado.
- A platéia do TE deve estar
preparada para participar da dramatização. Sua participação pode ser
voluntária ou solicitada pelo diretor. O aquecimento até então feito
deve permitir a participação voluntária. Mas, o diretor deve ficar
muito atento à audiência, preocupando-se com a manutenção de seu
aquecimento. Para isso ele pode solicitar à platéia novos personagens,
novas cenas, algum fundo musical feito por instrumentos, ou mesmo com
vozes. Outra maneira de não permitir o desaquecimento da platéia é
pedir a imitação de algum personagem, ou a repetição de alguma frase
de um personagem, tentando reproduzir na platéia uma determinada
emoção vivida no palco. Posso ainda solicitar à audiência que vá
acompanhando a cena fazendo algum tipo de sonorização. Essa
sonorização pode ser combinada durante a sub etapa de grupalização
para funcionar como uma manifestação organizada da platéia. Mas pode
também ser criada e combinada neste momento. O que interessa é que a
platéia tenha formas organizadas de participação na dramatização
- O que quero destacar nesta
preparação é que os elementos da platéia devem estar constantemente
prontos para poderem participar,como atores , como autores ou como
platéia mesmo. Mas para que essa participação possa ser espontânea,
ela precisa sempre estar articulada à trama que está se desenvolvendo
no palco.
- Todos: atores, autores, platéia
e diretor, cada um com seu papel, são responsáveis pela representação
cênica e pela dramaturgia grupal.
- Como disse no inicio deste
trabalho, o aquecimento é como a terra que se prepara para o cultivo.
Quanto melhor trabalhamos a terra melhor será nossa colheita. Quanto
melhor aquecermos o grupo, mais bela, mais reveladora, mais intensa,
mais completa será a dramatização
- Como o aquecimento tem sido meu
objeto de investigação, tenho certeza de não ter esgotado o assunto.
Talvez ele nunca se esgote. Mas gostaria de ressaltar que ainda que
incompleto, tenho disciplinadamente me orientado por ele. Insisto na
disciplina, ainda que possa parecer contraditório com Espontaneidade/Criatividade.
Stanislawsky, esse mestre do teatro, nos diz: "A disciplina férrea ()
é absolutamente necessária em qualquer atividade de grupo () Isto se
aplica sobretudo á complexidade de uma representação teatral() Sem
disciplina não pode existir a arte do teatro". Embora ele esteja se
referindo ao teatro convencional, penso que também no TE, precisamos
ter regras claras para podermos alcançar o processo de criação.
Grotowski, outro mestre das artes cênicas, confirma: "Não existe
criatividade sem disciplina".
- Para tentar estabelecer regras,
ou melhor, disciplina de criação, é que tenho investigado o processo
de aquecimento.
- Embora a criação seja o foco da
minha direção, o que verdadeiramente espero quando dirijo um TE é que
as pessoas que participam possam aprender a viver em grupo, a criar
coletivamente, a perceber e compreender a relatividade de nossas
individualidades.
- Espero estar no caminho
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- Lic. Cida Davoli
- São Paulo - Brasil
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